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Como combater o bullying por causa do mau cheiro

Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 2019 com estudantes de escolas públicas e privadas da capital de cidade revelou que 29% deles relataram ter sido vítimas de bullying naquele ano.

Desses alunos, 23% afirmaram ter sido vítimas de violência. Esses são dados assustadores.

O bullying é um dos maiores problemas sociais a serem enfrentados pela nossa sociedade e, ao contrário do que muitos pensam, não é um fenômeno contemporâneo.

Esse tipo de violência sempre existiu e resultou em traumas e cicatrizes (psicológicas e, muitas vezes, físicas).

A diferença é que agora nós estamos falando abertamente sobre o bullying e reconhecendo todos os males que ele pode trazer.

Embora qualquer um possa ser alvo de descriminações e humilhações, sem dúvidas os portadores de doenças são mais propensos a serem vítimas de bullying.

E isso inclui os portadores de bromidrose, mais conhecida como “mau cheiro” ou cecê”.

Como se viver com essa condição não fosse desagradável o suficiente, eles ainda precisam lidar com bullying, descriminação e segregação. E esse tipo de violência não ocorre apenas nas escolas – também é muito comum em outros ambientes, como o de trabalho.

O primeiro passo (e o mais importante de todos) para acabar com o bullying contra pessoas com bromidrose é dar um fim às más interpretações que as pessoas geralmente fazem acerca dessa doença, e isso só pode ser feito através do conhecimento – que sempre é libertador.

Por isso, nós reunimos diversas informações super importantes que todos precisam saber sobre como lidar com o bullying causado pela bromidrose.

Se você ou alguém que você conhece sofre com esse tipo de violência, esse artigo é para você.

Continue a leitura para saber mais.

O que é a bromidrose?

Primeiro, é muito importante entender essa condição e como ela é desencadeada. Basicamente, a bromidrose é causada pela decomposição do suor pelos microrganismos que habitam a pele.

Achar tratamentos para essa condição é uma tarefa muito complexa que exige muito tempo e dedicação.

Isso porque nem todos os medicamentos e tratamentos disponíveis hoje no mercado podem ser eficazes dependendo do quadro.

Além disso, esses produtos nem sempre são acessíveis e, com o tempo, podem deixar de fazer efeito. Quando isso acontece, é necessário passar por todo o processo de procura por um tratamento novamente.

Lidar com a bromidrose não é fácil, desde os sintomas da doença, até a busca por um produto que seja realmente eficaz.

O mínimo que podemos fazer pelos portadores dessa condição é demonstrar compaixão e não piorar as coisas com segregação, piadas de mau gosto, violência, etc.

Bromidrose não é falta de higiene

Involuntariamente, a primeira coisa que pensamos quando sentimos alguém com mau cheiro é quase sempre “vai tomar um banho!” ou algo parecido. Esse é um pensamento natural, que não podemos controlar.

No entanto, é possível controlar nosso comportamento e a maneira de lidar com a situação, e isso é muito importante, pois quase sempre define como a outra pessoa portadora de bromidrose irá se sentir.

Muitas pessoas sentem a necessidade de tratar os portadores dessa condição com desprezo e hostilidade por acreditarem que elas escolheram ter mau cheiro e que, por essa razão, são egoístas e só pensam em si mesmas.

Mas essa é um dos principais mitos acerca da bromidrose e o que mais causa desinformação.

A verdade é que, justamente por estarem conscientes do mau odor, essas pessoas costumam tomar mais banhos por dia do que a média da população toma. Infelizmente, isso não é o suficiente na grande maioria das vezes.

Inúmeras visitas a diferentes dermatologistas e diferentes tratamentos quase sempre são necessários para que a bromidrose possa ser devidamente tratada.

É preciso muito mais do que banhos e desodorante para que o mau odor possa ser combatido. Às vezes, até a alimentação dos portadores dessa condição precisa ser controlada.

A bromidrose é uma condição como qualquer outra

Como já falamos anteriormente, a grande maioria das pessoas não vê a bromidrose como uma doença, e sim como uma escolha. Mas essa é uma condição como qualquer outra.

Isso significa que descriminar alguém que sofre com o mau odor é tão grave e inaceitável quanto descriminar alguém paraplégico ou que sofre com depressão, por exemplo.

Todas essas condições dificultam a qualidade de vida dessas pessoas de alguma maneira e não foram desejadas.

O mau odor não é sinônimo de egoísmo – culpabilizar os portadores de bromidrose é tão errado e discriminatório quanto culpabilizar alguém que sofre com diabetes, hipertensão, ou qualquer outra doença.

O bullying contra pessoas com bromidrose pode levar à depressão e até ao suicídio

Um estudo,  realizado em 2007 pela Cidade Universitária de Nova York revelou que tanto vítimas quanto perpetradores de bullying têm mais chances de desenvolver quadros de depressão e tentar suicídio.

Isso não é nenhuma surpresa. O bullying pode ser apenas um “rito de passagem” para algumas pessoas e não causar muitas feridas, mas para outras esse tipo de violência pode impactar a negativamente a autoestima pelo resto de suas vidas.

Ao sofrer qualquer tipo de discriminação por ser portador de bromidrose, o indivíduo quase sempre desenvolve algum tipo de fobia social por medo de ser julgado. Isso significa que ele irá se isolar do resto da sociedade e ter dificuldades em socializar pelo resto da vida.

Imagine não se sentir bem-vindo(a) em nenhum lugar. Só de imaginar o coração aperta, não é mesmo? Agora imagine se sentir assim por conta de uma característica sua que você não pode controlar.

Experienciar isso causa traumas que irão se manifestar pelo resto da vida através de uma baixa autoestima, problemas de confiança, medo de eventos sociais, etc. Ao não se sentirem acolhidos, amados e desejados, os portadores dessa condição acabam desenvolvendo quadros depressivos e alguns podem até tentar suicídio.

Os pais também podem constranger filhos que sofrem com a bromidrose

Ao entrar na puberdade, é natural que pré-adolescentes desenvolvam um cheiro característico. Mais natural ainda é que essas crianças não saibam como controlar esse mau odor, afinal, muitos adultos ainda lutam contra essa condição diariamente sem sucesso.

Diante dessa situação, muitos pais acabam constrangendo seus filhos. Ainda que as intenções desses responsáveis sejam as melhores possíveis, pois eles não querem que seus filhos sofram humilhações e segregações, a maneira como esse assunto será abordado é o que mais importa.

Isso porque crianças que sofrem com a bromidrose ainda não entendem muito bem essa condição e muito menos como trata-la.

Quando seus pais a recriminam e culpam por não ter usado desodorante ou não ter tomado banho “direito”, elas se sentem culpadas por algo que não têm como controlar.

E se o constrangimento causado por pessoas desconhecidas pode prejudicar bastante a autoestima, o que dizer sobre aquele que é causado pelas pessoas que mais te amam?

É muito importante que os pais de crianças, pré-adolescentes e adolescentes portadores de bromidrose saibam como abordar esse assunto com cuidado e respeito, sem culpabilizar ou constranger.

Críticas “construtivas” podem mais machucar do que ajudar

Seu comentário sobre o mau odor alheio pode ser carregado de boas intenções, mas o que importa mesmo é a maneira como ele será recebido.

E a grande verdade é que quase nunca é pertinente tecer comentários ou fazer críticas “construtivas” sobre a bromidrose do outro, seja ele seu amigo ou não.

As pessoas com bromidrose na grande maioria das vezes já sabem que tem essa condição e fazem o que podem para trata-la. Você não precisa avisa-las do óbvio.

Caso você sinta que é realmente pertinente falar sobre esse assunto extremamente delicado com seu amigo, deverá tomar muitos cuidados para que ele não se sinta constrangido com essa conversa.

Em primeiro lugar, é crucial que essa seja uma conversa privada, ou seja, nunca fale sobre a condição alheia na frente de outras pessoas.

Depois, certifique-se de que você não irá falar o óbvio. Só aborde esse assunto (que certamente é muito delicado para seu amigo) se você tiver certeza que a conversa será produtiva. Por exemplo, se você souber de alguma receita ou produto diferente que pode ser útil para ele.

Deixe bem claro para seu amigo que você sabe que essa é uma condição como qualquer outra, que ele não tem culpa e que está ali para ajuda-lo como for possível. O mais importante é faze-lo se sentir acolhido e respeitado.

Conclusão

O mau cheiro, ou bromidrose, é uma condição como qualquer outra e seu tratamento não é tão simples quanto a grande maioria das pessoas acreditam ser. Ter mau odor não é uma escolha, nem egoísmo, e sim uma doença.

O bullying causado pela bromidrose, assim como qualquer outro, pode ter consequências gravíssimas, como uma autoestima prejudicada, quadros de depressão e até tentativas de suicídio.

Se você presenciar ou vivenciar qualquer tipo de violência causada pelo bullying, seja ela psicológica ou física, não hesite em reportar o ocorrido para as autoridades da sua escola ou ambiente de trabalho, como diretores e coordenadores.

O bullying causado pela bromidrose pode e deve ser evitado, e o primeiro passo para isso é o conhecimento.

Por isso, considere compartilhar esse artigo para que mais pessoas aprendam um pouco mais sobre essa condição e parem de descriminar e segregar aqueles que sofrem com o mau cheiro.

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